Os dez mandamentos dos 36 anos

Primeiro: A família será o teu centro gravitacional

Não precisava de ser mandamento, mas será. O primeiro de todos. Hoje e sempre, em todas as idades. O António e o Pedro são as minhas prioridades e que nunca nada nos desvie da nossa rota de amor. Que haja sempre afeto, paciência e cuidado entre nós e que essa graça se estenda em disponibilidade também para os outros membros da nossa família e ainda aos nossos amigos mais queridos. E que isto seja um lembrete constante para quando estiver quase a cair na tentação de acumular horas extraordinárias de trabalho, ou a preguiça me quiser impedir de ligar àquela pessoa que vai saber mesmo bem ouvir.

Segundo: Comprarás local

Se houve algo que esta quarentena nos ensinou foi a importância de ajudarmos as nossas economias locais, de comprar aos pequenos, de ajudar amigos, os senhores da mercearia da esquina, o restaurante de sempre. Que esta prática vire rotina daqui para a frente e que este tempo traga consigo economias mais humanas. E que se torne um hábito, daqui para a frente, ir espreitar o “made in” de cada produto que queira levar para casa.

Terceiro: Diminuirás a tua pegada no mundo

Assumindo que será quase impossível tornar-me 100% zero waste e sabendo até que já tenho bastante consciência ambiental, admito que ainda me falta (faltará sempre) um longo caminho a percorrer e muitas novas práticas para incorporar. De pequeno hábito em pequeno hábito. De pequena mudança em pequena mudança. De forma a que este suspiro que o mundo dá, agora que estamos todos em casa, se possa tornar num respirar limpo e profundo nas décadas vindouras. Comprometo-me a fazer a minha parte.

Quarto: Meditarás, Rezarás e Yogarás

É o mandamento mindfullness. Sobre meditar, há tanta evidência à nossa volta dos seus benefícios que se torna quase idiota não tentar (pelo menos, tentar) incorporar esta prática na nossa rotina. Sobre rezar, porque a fé é uma benção, porque me assumo católica e porque nesta quarentena tenho rezado muito, sozinha e acompanhada, e me sinto mais conectada do que nunca. Sobre a yoga, porque adoro, porque me traz boas recordações e boas energias, e porque era um hábito perdido e também recuperado por estes dias e que não quero voltar a largar.

Quinto: Serás uma tartaruga

Eu sofro de uma ansiedade intelectual tramada. Estou constantemente a ter ideias e a querer pôr tudo em prática. E, pior, a querer resultados rápidos, sob pena de desistir de tudo, logo à cabeça. Este será talvez o mandamento mais desafiante: adotar o método tartaruga, com a tão velhinha máxima “devagar chegarás longe”. Se eu quero ter uma empresa, um blog, escrever um livro, aprender um intrumento musical, ler bastante e ver as séries da moda, terei que me mentalizar que só conseguirei fazer um bocadinho de cada coisa, de forma a não interferir com o primeiro mandamento (que será sempre o mais importante de todos). E, assim, muito provavelmente só atingirei o sucesso empresarial daqui a uns cinco ou dez anos. Só terei um livro escrito daqui a outro bom par de anos. O blog só terá umas poucas publicações cada mês. Só saberei tocar uma música ou outra. Só conseguirei ler três ou quatro livros por ano. Só acompanharei uma ou duas séries. E não faz mal.

Sexto: Ajudarás os negócios dos teus amigos

Sempre achei que somos todos demasiado relutantes a ajudar os negócios dos que nos são próximos, em modos gerais. É certo que ninguém gosta de ser inundado com pedidos para seguir esta ou aquela página, sobretudo quando o assunto nos diz pouco. Mas nunca sabemos se, no futuro, iremos ou não precisar daqueles produtos. E precisando, antes ajudar amigos que comprar a marcas megalómanas, às quais acrescentamos pouco valor, certo? Por isso, e porque também estou do outro lado, vou esforçar-me sempre por apoiar, comprar e divulgar, de todas as formas que me forem possíveis, os negócios e projetos das pessoas à minha volta.

Sétimo: Pedirás ajuda

É uma especie de arrogância este meu não pedir ajuda, assumo. Que funciona em vários níveis. Vai desde uma dificuldade quase genética em delegar trabalho (e tantas vezes, quando o faço, os outros desempenham bem melhor que eu) ao medo/vergonha de pedir ajuda e conselhos ou mentoria a quem percebe das coisas e provavelmente nem se importará em ajudar. Vou tentando combater esta tendência (até pela minha própria sobrevivência), mas sei que ainda é, claramente, sair da minha zona de conforto.

Oitavo: Desconectarás

Se me perguntassem qual é a coisa que mais faço por dia – e se eu fosse mesmo honesta na resposta – seria “scroll down”. É uma vergonha mas passo tempos infinitos agarrada ao telemóvel e nem sempre é a fazer coisas úteis. Muitas vezes é simplesmente a consumir tudo o que as redes sociais me enfiam olhos adentro, tantas vezes sem grande valor para a minha vida. Por isso, a partir de agora, sábado é dia de desligar a internet cá em casa.

Nono: Escolherás o analógico

Há pouco tempo, calhou-me a mim ir fazer as compras do supermercado. Ao passar na secção das revistas, de impulso, trouxe uma carrada delas. E tem sido um revivalismo tão bom, aproveitar os momentos mortos do dia a folhear aquelas páginas de fofocas e vestidos bonitos. Há tanto tempo que não o fazia que me sinto quase indignada comigo mesma de – ainda no seguimento do ponto anterior – ter deixado as redes sociais ocupar espaços que estavam tão bem ocupados. A surpresa agradável foi reparar que, neste anos em que perdi o hábito de folhear revistas, que estas se tornaram mais maduras e conscientes, com temas relevantes e preocupações importantes. Vou manter-me por aqui, e arrastar este hábito a outras rotinas analógicas.

Décimo: Olharás por/para ti

Não é por egoismo, mas por sobrevivência. Este olhar por/para servirá para criar um filtro de amor, de mim para mim. Não que me tenha em má conta, ou coisa parecida – na maioria das vezes. Mas outras tantas, sofro de demasiadas inseguranças. De repente, sem aviso prévio, dou por mim a achar-me gorda, feia, pouco inteligente, pouco capaz, pouco cool, pouco isto, pouco aquilo e entro numa espiral de parvoíce que me faz sentir perdida de sentido. E isso já está tão fora de moda. Já tenho mais que idade para me assumir como sou, sem medos.

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